sábado, 5 de março de 2011

A Laís

"Mas você me lembra um gatinho, bem novo ainda.
Gosta de brincar, correr atrás de fios e linhas misteriosas.
Mas quando não quer mais, podem ter bilhões de fios que você não corre atrás.
Minha mãe costuma chamá-los de ariscos...
Já eu, só acho que eles conseguem respeitar suas vontades.
Assim como você!" - Henrique Leto

quarta-feira, 2 de março de 2011

Ela

Ela acorda com todas as forças se despertando dentro dela. Todas como se fossem bombas prontas para explodirem, levando-a até o ponto mais alto e tranquilo que ela avistar. E todo aquele clima onírico parecia tão desafiador, que as forças se multiplicavam mais e mais. Como se começasse a fazer reservas de forças para viver os sonhos e não falhar na metade deles. Pra ser direta, ela já havia testemunhado muitos casos de sonhos "quase vivídos" e a última coisa que queria, era ser uma dessas testemunhas. Sempre foi de fazer planos e mais planos, criar expectativas e entrar nos sonhos por completo, mesmo acordada.
Mas acontece que ela precisa aprender a viver o hoje. Precisa aprender a digerir os sonhos com mais sensatez. Se o problema geral do mundo é não sonhar e achar os sonhos grandes demais pra ele, o dela é sonhar demais, se achar tão grande quanto os sonhos e querer abocanhá-los de uma só vez, sem dar tempo algum para o sonho se preparar para ser vivído e nunca mais ter sido apenas um sonho.
Ela descobriu a má relação que tem com o tempo. Descobriu a má relação que tem com essas regras de pode e não pode. Descobriu a má relação que tem com o que não é preenchido com uma gama de sentimentos e sensações. Descobriu a má relação que tem com as coisas que realmente não lhe agradam. Descobriu a má relação que tem com a frase: Você ainda não pode ser assim. Porque ela simplesmente pode.
Mas ela se vê, dentro de si, buscando controlar os próprios espinhos e pétalas. Tentando não misturar os próprios perfumes. Tentando viver um sonho de cada vez. Buscando o descobrimento de tudo aquilo que ela pensa conhecer.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Sobre o amor/1

Adormeceu. Já não havia mais sentido para ficar tão acordada. Tão fixada naqueles olhos e naqueles braços tão aconchegantes. Correu e deitou-se ali. Deitou-se no abraço cor de mel com gosto de vermelho. E percebeu que já estava trocando tudo. Na verdade, só queria entrar em sintonia. Tocar no amor e sonhar por horas, sem interrupções. Sim, tocar no amor. Foi exatamente isso que eu disse. Ao longo de toda a nossa vida, sempre existem milhões de pessoas que insistem em dizer que o amor é abstrato, que não se explica, que não isso e não aquilo. Mas ela podia sim tocar o amor. E quando teve essa descoberta, quis adormecer nos braços do amor. Eram braços confortáveis, que faziam com que ela esquecesse tudo o que não derivasse do amor. Foi descobrindo o amor aos poucos. Foi deixando aquela proibição de explicar o amor de lado. O amor era engraçado, paciente, seguro, tranquilo, agradável, amigo, alto, olhos castanhos, forte e com um coração gigante. O amor era de carne e osso. Foi quando percebeu que existem mais de 6 bilhões de amores. Nenhum igual ao outro. Mas a gente pode tocar em cada um deles, com ternura, afeto e todo aquele sentimentalismo importante e nada bobo. O que não pode ser descrito no amor é o tamanho, é o limite, é a dimensão. Porque isso não existe pra ele.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Live

Existe um mundo seu, fora de você. Ele te espera anciosamente. Tenta te mostrar todos os dias, motivos e melodias que despertem a sua vontade de sentir. A sua vontade de sentir o seu mundo alçar voos e descobrir as belezas que você sempre teve medo de descobrir. Você pode ver tudo de cima. E aí a sua vontade de descobrir vai aumentar mais e mais á medida em que você descobrir os tesouros da vida.
Existe um mundo seu, logo alí. Esperando que você corra cheio de vontade e o apanhe. Esperando que você deixe as desculpas e as justificativas de lado. A tristeza a gente mata. Os obstáculos a gente pula. Os medos a gente enfrenta. A vida a gente vive sem adiar para amanhã. Sei, é clichê. Mas amanhã a vida pode ter passado tão depressa, tão fugaz, tão amarga. E a gente? A gente vai ter visto tudo isso sentado, esperando que alguém viva por nós?
Eu quero amor. Eu quero aventuras. Eu quero descobertas. Eu quero ação. Eu quero é espalhar pro meu mundo inteiro, o quanto eu sou feliz. Feliz, feliz, feliz... Pela vida. A felicidade nasce dentro de nós e por sí só, aparece. Não gosta de ficar aprisionada. Logo se encarrega de estampar um sorriso tão sincero, que parece que o mundo inteiro consegue ler a nossa alma. Eu quero é ser lida. Enquanto eu viver, a felicidade será minha amiga e, inevitávelmente, serei lida.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Para você

Talvez agora eu saiba, amor. Talvez agora eu saiba o motivo de eu sempre me pegar esperando algo desconhecido. Algo sem nome, forma, sentido, palavras e sinais. Mas eu esperava. Esperava com sede e com um sentimento de cuidado e duçura, que parecia estar a ponto de receber um passarinho que acabara de machucar as asas. E aqui dentro, preparado há muito tempo, existia um ninho fofo e acolhedor, com uma vontade imensa de cuidado, que parecia não ter espaço para mais nada além dessa espera desconhecida.
Havia me cansado da espera, confesso. Me cansei tanto, que resolvi ir caminhando, sentindo o conforto do ninho e o alimentando com todos os sentimentos e coisas boas que via ao longo da caminhada, mas sem esperar mais nada. Comecei a roubar os sorrisos depois de aproveitados; os beijos apaixonados; os abraços tão bem encaixados; o entrelaçar de duas mãos que se beijavam tão apaixonadamente; o olhar sereno de quem queria ajudar, mas não sabia como o fazer; e as mordidas na palma das mãos, que sempre provocavam uma risada gostosa.
Roubei mesmo. Roubei até borboletas e flores. E junto com elas, vieram cores de céu, grama, beterraba, cenoura, morangos e de noite com pingados de estrelas.
Houve um tempo, em que parei de piscar. Não estava louca. Ou estava loucamente apaixonada por aquele que esperava tão fugazmente. Parei de piscar, porque tive medo de não conseguir fotografar com os meus olhos, o momento exato da chegada, do abraço e do laço sem volta. Depois, desisti. Fui aprendendo a acalentar o ninho. A driblar a espera. A cuidar e amar o invisível.
Isso. Amava o invisível. Não tinha ideia do que era. Mas amava.
Foi então, amor, que eu, em um desses "fechar de olhos", o reconheci. Sim. O reconheci. Porque o ninho não conseguiu controlar a vontade que teve de puxá-lo para ele. Mal sabia o que dizer. Por isso, preferi não dizer. Fiquei em silêncio, pensando na melhor forma de lhe oferecer o ninho e fazer com que você entendesse que ele já era seu. Mas parece que você já sabia. Me fale agora, como você já sabia? Como?
Lhe ofereço os bens que roubei pelos caminhos. Lhe ofereço o cuidado que guardei. Lhe ofereço a doçura de um amor sem medidas. Lhe ofereço o céu que te olhas de mansinho e as estrelas que dormem na palma de minhas mãos. Lhe ofereço meu sorriso terno e meu sopro quente. Lhe ofereço meu amor, meu amor.

Ps: Tava enjoada da cara e das cores do meu blog e resolvi mudar. Então, preciso agradecer o Jeft lindo, por ter me ajudado, haha. E por ter feito a árvore de borboletas mais linda do mundo. ;D

domingo, 2 de janeiro de 2011

Você

Ao meu querido você, que me tens guardada no coração.

Preciso lhe dizer algo. Algo talvez tão complicado, que tenho perdido as esperanças de um dia entender. Preciso falar de mim, você. Preciso lhe dizer um pouco do que me aperta o coração.
Primeiro, gostaria de pedir um favor. Um favor que não exige que saia do seu lugar e nem que gaste a sua voz e sola de sapato. Só peço para que não acredite em mim. É. Quando me perguntar se estou bem, eu demorar mais de 5 segundos na resposta e depois responder baixinho, é mentira. E peço para que nessa hora, você não sorria dizendo o quanto é bom eu estar tão bem.
Quando eu for um tanto "estátua", for surpreendida te olhando escondido e esticar os lábios sem mostrar os dentes, é porque me tens longe, longe, bem longe. Tão longe que seria incapaz de dizer alto a cor dos olhos que havia acabado de fitar.
Preciso lhe pedir cuidado. O perfeito nunca é perfeito pra mim. As pessoas geralmente se acomodam enquanto me incomodo escondido. Se importam quando querem, dizem o que convém, chamam para conversar quando não há "nada de mais importante para fazer", dão os mesmos presentes usados com outras pessoas e não, não estão aqui, adivinhando os dias chuvosos.
Preciso lhe dizer que, eis aqui, aquela que deves conquistar todos os dias. Sim. Peço para que mires os teus pequenos atos e as minhas reações á eles. E amanhã, peço para que faça diferente.
Tens aqui, um coração complicado. Um coração que odeia a indiferença. Um coração que pede para se sentir único, no meio de todos os outros corações.
Preciso lhe dizer, que precisas fazer com que meu coração se sinta o único da cor da sua cor preferida, no meio de todos os outros. Faz a diferença, o que consegue entender um pouco desse eu, você. É como se a compreenção fosse a corda para juntar o eu no você, e formar o/s nós.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Desejo-lhe sonhos!

Ás vezes nós precisamos de uns choques. Ter aquela tensão de querer e ter um muro te impedindo de chegar com sede ao pote. Sim. Seria muito monótono querer tudo e ter tudo. O pote estaria sempre cheio, e nunca veriamos aquele sorriso meio maroto que aparece na face do menino assim que consegue encher mais um pouco do pote.
O pote estaria cheio de monotonía, tédio, cinzas e cheio de vázio. Desejo-lhe sonhos, meu amigo. Sonhos de todos os tamanhos, espessuras e cores. Desejo-lhe mais. Desejo-lhe um pote pela metade. Um pote com sede. E muitos sonhos. Desejo-lhe um livro de sonhos e um empurrão. Empurrão sim! Oras! Sei que tu ficarias esmungando por horas, dizendo que os sonhos são "grandes demais pra você". Já conheço essa história. Conheço também, aquela em que você finge ir atrás dos sonhos, mas dentro de você, você já está pensando no discurso que vai dar á você mesmo pra dizer que não conseguiu.
Saber que existem tantas pessoas desconhecidas espalhadas pelo mundo, tantos lugares incríveis para serem conhecidos, tantas novas sensações para serem sentidas e aproveitadas, tantos sorrisos intensos para serem vividos e tantos amores para serem guardados não o faz querer voar? Não o faz querer sair por aí, correndo sem destino? Não o faz querer tanto o sonho, que o muro seria facilmente digerido?
Desejo-lhe a vontade de saborear os sonhos e deliciar-se com cada um deles.
E quando alcansá-los, desejo que prepare a pontinha dos dedos, arranque um pedacinho e guarde na caixinha dos sonhos. Isso é pra você nunca mais esquecer que és tú o "grande damais" para eles.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Chora, menina!

Chora com força, menina! Vê se chora logo essa solidão tão cruel que tem te enoitecido. Chora logo este silêncio mal feito, que ainda deixa passar o som dos teus soluços. Chora logo, menina! Abra as portas e as janelas. Deixe a claridade entrar aí e vá ser feliz. Pare de olhar o vento balançando as folhas pela janela e vá senti-lo também. Pare de se ver tão pequena. Pare de deixar que um mundo louco te faça ser monótona junto com ele. E se tens vontade de mastigar um pouco de nuvem, permita-se entrar nos sonhos. Tem feito isso pouco. E isso tem te feito muito mal.
Mas agora você me olha. Me olha com uma cara de quem passou o dia todo dormindo e não conseguiu sonhar. Me olha com uma cara de quem vai ver a noite dormir e acordar, para ver se as estrelas lhe despertam um pouco de calma. Me olha com uma cara de quem precisa de um ombro para encostar de leve, mas só encontra uma cama e uns ursinhos doados que não conseguem passar as mãos de leve sobre os seus cabelos bagunçados.
Chora com força, menina! Mas chore baixo, para não acordar os passarinhos. E chore seco, para não inundar a cidade.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Distancia das coisas inúteis.

Ultimamente tenho tentado deixar as coisas inúteis um pouco de lado. Percebi um dia, que eu andava dando mais importância ás pequenas coisas do dia que me tiravam do sério, do que naquelas coisas surpreendentes, gostosas e que realmente contribuiriam para o meu crescimento. Confesso que tenho dificuldades com isso. Tantos detalhes "errados" do dia que parecem que só aparecem para que você grite e se sinta mal logo em seguida. E parece até impossivel ficar simplesmente calada, sorrir e engolir a falsidade. Mas o meu plano tem sido parar, respirar e lembrar de tudo o que é bom.
Quem mente é quem vai ser o inútil da história. Quem é sinico é quem vai perder o tempo fingindo. Quem é falso é quem vai viver sempre pisando em falso.
E quando deixamos a raiva dominar o nosso "eu", estamos nos amargurando mais ainda.
Portanto, agradeço pelo amor que ganho e pelo que eu pude doar. Agradeço por ter sede e ter quem matá-la. Agradeço por existir um livro da vida. Agradeço por ser livre para escrever o que quero. Agradeço por um novo começo que se aproxima. Agradeço pela chuva de ontem. Agradeço por aquele beijo e aquele abraço apertado que ninguém substitui. Agradeço por cada detalhe que vale muito mais do que qualquer coisinha sem valor.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Caixinhas de surpresas, nós somos.

Nós somos como caixinhas de surpresas. Tudo o que somos não passa de surpresa aos nossos olhos materiais. Ninguém nunca saberá o que se passa lá no fundo do nosso "eu". Ninguém sabe se hoje é o nosso dia de festa, de choros, de sorrisos, de enterros ou de mudanças. Na realidade, é como se todos fossemos cegos. Cegos mesmo. Cegos quando desprezamos aquilo que realmente deve ser admirado e tentamos mirar com os nossos dois olhos um corpo, uma pele ou uma roupa que nada diz sobre um outro coração.
Nós nunca saberemos ler um coração, sem antes, lermos o nosso. Nós nunca conheceremos um coração, sem antes, fecharmos esses nossos olhos tão enganados e tão injustos, e olharmos um pouco além do que está tão óbvio.
Nós somos como caixinhas de surpresas e, mesmo que muitas vezes a gente se esbarre em espadas e em quinas que surgem de repente, a gente se surpreende dia e noite com coisas que queremos, pra sempre, manter guardadas e seguras dentro das nossas caixinhas.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Sempre o quis...

Pra falar a verdade, eu sempre o quis aqui. Sempre o quis pertinho e confortável perto de mim, ou -melhor dizendo- dentro de mim. Sempre o quis susurrando algo dentro da minha mente, que fizesse com que eu nunca te esquecesse. Sempre o quis com os abraços abertos e tão cheios de algo tão singelo e sincero, que só o que eu me permito querer é nunca fechar os meus. Sempre o quis fingindo ser imperfeito e tentando me convencer disso, mesmo quando você mesmo sabe que é perfeito pra mim e pouco me importa se não é pro resto do mundo. Sempre o quis aqui, fazendo com que eu sinta o meu coração. Mas antes, isso não passava de sonhos que vinham depois de uma tarde de filmes românticos, muito chocolate e pijama. Agora...Agora isso tem nome, querido coração.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Eu...

Eu, um coração cheio de saudade. Eu, um pedaço de estrela. Eu, um gosto de liberdade. Eu, um cheiro de chuva seguido de abraço apertado. Eu, um amor que cresce. Eu, dezembro que começa. Eu, planos em andamento. Eu, sonhos altos. Eu, paixão não enjoativa. Eu, intensidade. Eu, café forte. Eu, batom vermelho. Eu, chocolates infinitos. Eu, beijo molhado. Eu, nós.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Encontros, reencontros e desencontros.

Vez ou outra fico pensando na vida. Na verdade, quase sempre fico pensando na vida. Até mesmo quando penso que não estou pensando na vida. Respiro vida, durmo vida, sorrio vida, choro vida, beijo vida, abraço vida, converso vida e vivo vida.
Dia desses, em um desses momentos em que pensei vida, fiquei pensando nos encontros, reencontros e desencontros. Acontece que são tão unidas ou "des". É tão sensível a linha que separa os três.
Os corações se desconhecem, se esbarram, se olham de mansinho, se gostam e se encontram. Alguns se perdem em outros e se desencontram. Outros se desencontram e depois, mais amadurecidos, se reencontram. E tem aqueles que se encontram um dentro do outro e nunca mais se desencontram fora. E pra tudo isso acontecer, na maioria das vezes, é necessário um simples olhar acolhedor ou uma amarga palavra de despedida. É necessário um ato, as vezes até pequeno, que vai mudar o espetáculo inteiro. E o mistério é nunca sabermos a palavrinha mágica para encontrar o mágico e conseguir fazer com que ele nunca se desencontre de nós. Aí é pura sorte, acaso ou destino... Ou puro mistério.